26 de maio de 2024

Origem da Devoção a Nossa Senhora Aparecida

A devoção a Nossa Senhora Aparecida teve início no ano de 1717 quando pescadores encontraram no Rio Paraíba uma velha e escurecida imagem de Nossa Senhora da Conceição. Inicialmente os pescadores encontraram no rio o tronco e depois a cabeça conforme a tradição.

Até 1745 a imagem ficou em oratório particular. Em 1888 foi levada para o santuário de Aparecida, sendo em 1930 declarada Padroeira do Brasil.

É interessante observar que a ida da imagem para o santuário de Aparecida se dá no início da Romanização. A Romanização inicia-se na segunda metade do século XIX e traz uma mudança substancial ao catolicismo brasileiro. O centro do catolicismo desloca-se dos santos para os sacramentos.

Essas transformações foram levadas a termo pela ação dos bispos reformadores, auxiliados por padres e freiras vindos da Europa ou por eles formados. A estratégia Romanizadora consistia basicamente na substituição das antigas devoções por novas, mais ligadas aos sacramentos, da substituição das organizações leigas por outras mais clericais e da ocupação por padres dos antigos centros de romarias. Estes passam a ser confiados a padres, especialmente aos Redentoristas. As imagens dos santos de devoção passam a ser guardadas nos templos paroquiais e santuários, saindo das mãos dos leigos.

Como reação à Romanização surge uma nova forma de catolicismo, a qual chamamos Catolicismo Privatizado.

Esta forma de catolicismo é centrada no santo, à semelhança da forma de catolicismo que havia antes da Romanização (catolicismo tradicional). Porém, as devoções que antes tinham caráter comunitário agora passam a ter caráter privatizado.

Podemos observar como a história de Aparecida se encaixa no esquema da Romanização. A devoção se inicia em 1717 e a imagem permanece muitos anos sob guarda leiga. É justamente em 1888 quando se inicia a Romanização que a imagem é levada para o santuário de Aparecida. Hoje as devoções a Nossa Senhora Aparecida, como pudemos perceber nos relatórios de pesquisa de campo, têm caráter predominantemente privatizado.

A devoção do povo

Como o povo conta a história da devoção

Os relatórios nos mostram a diversidade das histórias contadas pelo povo.

Existe uma versão que aparece várias vezes na qual “a santa” era uma “menina escrava e preta” que como os demais escravos era muito judiada pelos fazendeiros. Um dia a colocaram numa barrica onde foram enfiados muitos pregos. A barrica fechada foi empurrada de cima da montanha e caiu na água. Neste momento, “a menina se santificou”. Os pescadores acharam pedaços do corpo que deixados na grama se juntaram e ela se tornou viva. Nesta versão, Nossa Senhora Aparecida não é, ao menos aparentemente, relacionada com Maria.

Existem outras versões que embora apresentem variações de detalhes coincidem mais ou menos com a versão “oficial”:

“‘A santa’ foi encontrada por três pescadores muito pobres de nomes: Felipe, Pedroso e Garcia. Moravam num rancho esburacado, muito miserável. A pescaria andava muito ruim por aquelas bandas. Um dia até o óleo da lamparina acabou. Aí eles foram mais uma vez com fé em Deus jogar a rede. Foi quando pescaram o corpo ‘da santa’. Jogando a rede outra vez pescaram a cabeça. Daí em diante pescaram tanto que encheram todas as canoas. Aí levaram ‘a santa’ para o rancho e os milagres foram acontecendo.

*Vida Pastoral