15 de abril de 2024

PALAVRA DO PASTOR – NOVEMBRO DE 2023

BALIZAS DA VIDA CRISTÃ

Olá, meu querido visitador, seguidor das redes sociais da Diocese de Crateús-CE.

Estamos no mês de novembro e a comemoração dos fiéis falecidos, que rememoramos, neste mês, mais precisamente do dia 02, nos ajuda a refletir com mais sensibilidade acerca do mistério do nosso viver e conviver com as pessoas neste mundo, para quando chegar a “nossa hora”, fazer a experiência do bem partir, do bem morrer. Afinal, um dia, e não sabemos como nem quando, as pessoas nos deixarão ou, nós partiremos e teremos de deixá-las.

Sabemos que é assim e que não conseguiremos “driblar” essa realidade do morrer, do partir em definitivo. Temos em vista, ainda, a perspectiva da fé cristã que nos aponta para a continuidade da vida, na ressurreição. Diante disso, como fazer, desse momento, dessa realidade, dessa certeza da nossa fé – a continuidade da vida ressuscitada para uma eternidade de céu ou de inferno, isto é, de felicidade, realização plena ou de frustração total, tristeza, dor da perda da felicidade eterna – uma experiência de mais serenidade, esperança, coroamento da vida? Como fazer com que essa de separação definitiva dos que continuarão aqui e ao mesmo tempo de união perfeita e eterna com Deus, que é o que todos desejamos, não seja uma experiência de desespero, de morte?

Lendo os escritos de um irmão bispo mais velho, mais experiente, mais sábio também, me veio a inspiração de partilhar algo que ele refletiu e que pode nos ajudar a preparar-nos para viver melhor essas realidades. Ele falava de algumas balizas para a nossa vida, que nos ajudam a não trafegar fora das pistas nem estacionar em lugares errados e do jeito errado. Eu chamaria de pistas do bem viver para o bem morrer, para o bem partir e para o bem chegar do outro lado da eternidade. Que pistas são essas?

Primeiro, ele lembra que o Antigo Testamento apresenta os 10 mandamentos da Lei de Deus, para orientar a nossa vida moral, e que no Novo Testamento se estabelece o Creio, como paradigma do ser cristão, tanto para ser, como para agir. Eu colocaria bem do ladinho, as Bem-aventuranças. Mas, na base tem de estar a fé, que proporciona uma vida nova, que chamamos cristã e toda a moral cristã. Agir como se crê e viver como se crê.

Para nos ajudar, vejamos estas balizas para uma vida cristã e moral:

1. Creio em Deus Pai, Criador do Universo. Isto significa que todos somos irmãos e que, sendo Deus o criador de todas as coisas, nós não somos donos de nada, mas apenas administradores. Creio no bem comum.

2. Creio no seu Filho, nosso Redentor. Não somos nós que nos salvamos. Jesus nos salvou. Somos salvos por Ele. E o preço que ele pagou foi o preço do seu sangue derramado por nós.

3. Creio no Espírito Santo, nosso Santificador, ou seja, é a graça de Deus, o seu Espírito Santo que age em nós, com os seus, ajudando-nos a produzir os frutos da santidade (Gl 5,22-23).

4. Creio na Igreja católica, nossa Mestra na fé. O cristão não crê sozinho nem isoladamente. Crê com a Igreja, na Igreja e naquilo que a Igreja crê. Se deixa orientar pelos seus ensinamentos como os de uma mãe a seus filhos.

5. Acolho Maria Santíssima, Mãe de Deus e da Igreja. Na Igreja, não somos órfãos de Pai, de Mãe e nem somos filhos únicos. A Igreja é nossa família, e Jesus, na cruz, nos deu por mãe a sua Mãe. Acolho Maria como Mãe e aprendo com ela a fazer tudo o que seu filho me disser.

6. Admito a ressurreição dos mortos e a certeza da vida eterna, alegre pela esperança. Essa perspectiva de fé, qualifica o meu viver na terra. Vivo como num ensaio de eternidade.

7. Admito o perdão dos pecados, grande alívio na vida na terra. É a consciência de que não somos perfeitos, infalíveis. Admitir o pecado significa ser capaz de pedir perdão e de dar perdão. Admitir o pecado e acolher o perdão é condição para uma boa convivência humana.

8 Admito a necessidade da união dos cristãos, em torno de Cristo. Não há cristianismo autêntico se Jesus não for o centro, a referência, o paradigma, o ponto de união, o coração de todos os ritos, normas e comunidades. Ele, sempre Ele acima de tudo.

9. Admito a fé na misericórdia divina, como consolo da vida humana. Misericórdia que vai pra além da justiça. Tantas vezes, precisamos da misericórdia divina, pois se “fôssemos tratados como exigem nossas faltas, quem haveria de subsistir?” A misericórdia supera a justiça.

10. Acolho e cultivo a fraternidade cristã, como grande presente de Cristo à humanidade. É mentiroso que diz que ama a Deus a quem não vê, se não ama o irmão a quem vê. Sem amor, sem fraternidade não há esperança, não há futuro para a humanidade.

Então, que tal a gente se aperfeiçoar nessas balizas, para tirar a nossa carteira de habilitação de bons cristãos, a fim de que, dirigindo o veículo da nossa vida pelas estradas deste mundo, possamos chegar ao nosso destino final que o céu, a vida eterna, onde já acreditamos estar nossos entes queridos falecidos que tanto amamos?

Dom Ailton Menegussi

Bispo Diocesano de Crateús