15 de julho de 2024

PALAVRA DO PASTOR – MAIO DE 2024

A FAMÍLIA – O CASAMENTO

O Vento soprou, a chuva caiu e a enxurrada levou. E a casa na areia ruiu, quase nada sobrou. O vento soprou, a chuva caiu e a enxurrada se formou. E a casa na rocha não caiu, nem sequer se abalou” (Mt 7, 26-27).

Imaginemos um lar sereno e forte, habitado por um casal maduro. Às vezes ele lidera, às vezes ela lidera. Um conhece os valores e as imperfeições do outro. Estamos falando de um casal sereno, forte, maduro. Por isso mesmo, sabem que os valores são bem mais do que as imperfeições e que vale a pena caminhar juntos. Os dois têm consciência e admitem que podem ser melhorados.

Não guardam rancor. Aceitam ser corrigidos, mas ambos elogiam mais do que corrigem e entre eles prevalece a verdade. Os desentendimentos são resolvidos com calma e sem gritos nem fechamentos. Mas um sabe o que agrada e desagrada ao outro.

Ambos são humildes. Nem ele se acha superior ou mais do que ela, nem ela se acha superior ou mais do que ele. Sabem o que cada um sabe e pode mais do que o outro e não temem precisar um do outro.

Se um fez algo, admite que fez, se errou admite que errou, se tem que pedir perdão, pede perdão! Aliás, diga-se, de passagem, que é um grave desvio mental nunca admitir um erro pessoal. O matrimônio é feito de perdão. Quem não sabe ou não é capaz de perdoar, não deve casar-se. Quem se acha mais do que o outro não deve casar-se. Quem acha que o outro deve lhe dar tudo do que precisa, não se case. Quem pede mais do que dá, do que oferece, antes que se casar, precisa aprender a viver.

Desde que o matrimônio existe, um cuida do outro e os dois cuidam dos filhos. Onde um manda demais, pode até dar certo, mas alguém foi esmagado para que as coisas dessem certo. Neste caso nem se poderia dizer que deu certo, porque se trata mais de um arranjo social do que matrimônio.

O casamento é feito de “SIM”, mas também de muitos “Nãos”. É delícia, mas também é renúncia; é mel, mas às vezes também é fel. Não se pode fazer o que se quer depois de casado. Não se pode ir aonde se quer nem gastar o que se quer, porque existe o outro e alguns pequenos outros que precisam de atenção especial dos dois.

Quem casa renuncia a alguns aspectos da vida, mas ganha noutros. Quem se casa não perde somente; ganha também: presença, cuidados, carinho, filhos, companhia, apoio, prazer, ternura. Mas é claro que também terá momentos desafiadores: tensão, crises, conflitos, renúncias e outros “nãos” embutidos nesse enorme “SIM” que é o amor. Mas lembrem-se: “a ternura é a porta principal do casamento”. Quem casa quer amar e ser amado e isso exige gentilezas, atenção, cuidados, proximidade, presença, e momentos de intimidade só deles. Quem quer que o outro se adapte, mas não faz nenhum esforço para que a pessoa com quem se casou se sinta bem, prometeu e não cumpriu sua parte no trato. A ternura é fundamental.

Um matrimônio não se sustenta em função de relações sexuais, e sim de muitíssimas outras relações matrimoniais que darão sentido à relação sexual. O que une são as nossas relações e não apenas aquela relação, que também é importante, mas não é tudo na vida de um casal. “Eu casei com o conteúdo: a casca e a embalagem vieram de presente”.

Casar é difícil, mas é uma bênção. Escolhe-se ficar juntos não porque seja fácil, mas porque Deus vos dá esta bênção de um ser rima para o outro por toda a vida. Quando dois seres humanos, um feminino e outro masculino, se amam, a união dos dois pode ser um sólido edifício chamado lar.

Oramos por vocês para que o seu lar seja maduro, sereno e feliz.

Dom Ailton Menegussi

Bispo diocesano